Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de março de 2015

Mulheres que Mudaram a Música

Aaaah, as vozes femininas! aquelas que marcaram a vida de todos, de algum modo. Seja naquele momento romântico ( nao vão  dizer que vocês nunca sonharam com I say a little prayer cantado pelo boy, né...) ou apreciando o timbre perfeito de Janis. E siiim, elas mudaram a música, elas tomaram os vocais, se hoje podemos tocar nossos instrumentos (aliás, obrigada por me puxar para as aulas de violão desde cedo, mãe. <3) é porque Joan, Jini, Suzi lutaram por esse direito primeiro. 


Não são apenas cantoras, são mulheres fortes, que peitaram as regras impostas pela sociedade. Senhoras e senhores, algumas divas que marcaram suas histórias para sempre.   

Nina Simone

Dona de uma voz forte (a personalidade, então...) importante cantora e compositora, conhecida como a dama do Jazz. Mudou seu nome (Eunice Waymon) para cantar escondida dos pais. Nina era totalmente engajada em mudar o mundo. Ativista civil desde pequena, aos 11 anos pediu que seus pais sentassem na primeira fileira para vê-la tocando. Naquela época, os acentos do lugar era proibido para negros. Anos mais tarde, foi proibida de ingressar no Curtis Institute of Music,  um conservatório de música clássica. Segundo a cantora o motivo foi o fato de ser mulher e negra. Se destacou na luta pelos direitos civis nos anos 60.

Nina sofreu agressão física pelo próprio marido, sofreu por ser negra. Eternizou suas lutas contra a violência doméstica e o racismo em suas músicas (ouçam Four Women ). Lutou contra um mundo preconceituoso, machista e cantou sua verdade. Nina, que mulher...!


Janis Joplin

Janis é sem dúvidas, uma das vozes e personalidade marcante do rock e do blues. Impossível não ouví-la. Teve uma infância rígida e saiu de sua cidade muito cedo.  Com seu estilo "rebelde" o auge da sua carreira coincidiu com o auge do movimento feminista.  

Morreu aos 27 anos, assumindo o risco de ser livre em suas escolhas. Janis foi um ícone de uma geração que buscava quebrar paradigmas e viver sua liberdade.


Etta James

Etta James, vulgo Miss Peaches, filha de uma negra, mãe solteira de 16 anos, já veio ao mundo de forma nada convencional para a época.  Teve seu primeiro encontro com a música aos 5 anos de idade. Mudou-se para a Califórnia, formou um trio, e logo teve seu espaço no R&B se tornando um ícone.

Etta teve sérios problemas com drogas, relacionamentos conturbados, problemas com obesidade e infelizmente perdeu a vida devido a leucemia. Mas nada disso apagou o talento e a inacreditável voz dessa diva, que tanto contribuiu   para a música. 


Rita Lee

Rita é cantora, compositora, instrumentista, atriz, escritora, ativista e a melhor ovelha negra que há. Começou a a tocar piano aos 6 anos. Fez parte de vários grupos musicais na adolescência até integrar o grupo Os Mutantes (até hoje ela alega ter sido expulsa do grupo).

Em carreira solo, Rita emplacou um dos seus maiores sucessos "Agora Só falta Vocêêê iê iê" seguidos de outros. Pra variar, foi perseguida pela censura e o Regime Militar e cumpriu um ano de prisão domiciliar por porte de maconha. O que não impediu Rita em continuar a compor e logo em seguida sair em turnê.

Rita é um exemplo que foi seguido por várias cantoras que passaram a usar guitarra, cantar a independência feminina, e já são anos de carreira ativa e muito sólida.


Joni Mitchell

Impossível não ouvir os primeiros acordes de A Case of You e não abrir um sorriso de felicidade. <3 Na cena do rock entre Jimi Hendrix e Eric Clapton que reinavam com suas guitarras, Joni linda Mitchell, foi considerada uma das melhores guitarristas do MUNDO, segundo a revista Rolling Stone. Sua história com a música começou muito cedo.

Apesar de ter grande destaque no rock, sua especialidade era o Folk. Tanto que ganhou um Grammy como melhor artista do gênero. Um artista tão talentosa, que mesmo afastada da cena musical, lançou o álbum "Blue" estreando entre o Top 20 da revista Billboard.

Joni chamou a atenção do mundo para a paz e a preservação da natureza, e marcou o seu nome no mundo da música para sempre. Inclusive, obrigada ao meu primeiro professor de violão que me apresentou o som dessa linda. <3


Edith Piaf

Edith teve uma vida difícil desde o nascimento. Dizem que nasceu em uma calçada de Belleville. Foi abandonada pelos pais, ficou temporariamente cega devido a uma doença ocular. Começou a cantar desde os 14 anos. Aos 18 anos, teve sua única filha que morreu de meningite. Anos mais tarde, foi descoberta por um dono de cabaré cantando nas ruas. 

Edith tornou-se famosa mundialmente. Mas como eu já havia dito, a fama e o sofrimento andavam juntas na vida de Piaf e sempre transformava suas dores em canções inesquecíveis. Sem dúvidas, é a maior cantora francesa, uma inspiração.


Joan Jett

Apenas que Joan E Joni Mitchell são as únicas mulheres que entraram na lista de melhores guitarristas de todos os tempos pela Rolling Stone. Pense na moral...

Quem nunca cantarolou I Love Rock 'n Roll nas roqueiragens da vida, não é?! Seu maior sucesso ficou em 1º lugar na Billboard. Joan começou a cantar com 15 anos. Fundou junto com a baterista Sandy West um grupo pouco conhecido (só que não) The Runaways, primeira banda composta só por mulheres a fazer sucesso internacional.

Já em carreira solo, foi a primeira mulher a ter sua própria gravadora. Joan foi pioneira em várias áreas que até então, era comandadas por homens. 


Aretha Franklin

Sobre mitar na vida: é o ícone da música negra, a maior cantora de todos os tempos, a primeira muher a fazer parte do Rock & Roll Hall of Fame, a segunda cantora a possuir mais Grammys, é a Rainha do Soul. Tá bom pra vocês?!

Aretha começou a cantar aos 10 anos, na igreja do seu pai, um pastor muito conceituado, que ao contrário da maioria das cantoras daquela época, apoiou a filha na carreira. Não demorou muito para a cantora alcançar o sucesso merecido (Pelamor, que voz, que mulher...)
Um dos maiores sucessos Respect, virou um hino dos direito civis e do feminismo. Todas cantam!


Merecem nossos mais sinceros aplausos!!



Gostou do nosso blog? 
Então fique por dentro das nossas atualizações!
Na barra lateral direita, tem a opção 'Seguidores', sinta-se muito convidado para nos seguir! É rapidinho e fácil. :)
Também estamos no Instagram: @blogagridossie
Lembrando, envie sua foto para a “Cabelo bom é o meu!” no email: agridossie@gmail.com
Comentem, compartilhem e acompanhem nossas postagens!!
Beijos!

Por Rose Monteiro/Agridossiê

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Música: Da Janela

Não se enganem com a leveza da melodia da bela "Da Janela": ela tem uma letra pesada sobre opressão, sobre a história vivida por mulheres ao longo dos séculos. 

"Ela fechou os olhos e ouviu
Todas as mentiras que diziam
Chamando-a de vulgar e desprezível
Por não fazer o que queriam
Ela não tinha o que fazer
Pois precisava de permissão"

"Da Janela" nos mostra o sistema que dita moralidade, regras, que cala e aponta o dedo para o comportamento da mulher, para que ela não tenha autonomia sobre o próprio corpo, sobre a própria maneira de pensar.

"Ela fechou os olhos e ouviu
Todas as mentiras que diziam
Chamando-a de vulgar e desprezível
Por não fazer o que queriam
Ela não tinha o que fazer
Pois precisava de permissão
Diziam que seu corpo não era seu
Que perguntar demais a deixava doente
E que devia sua carne e sua mente
Ao que chamavam de um deus
Ela não tinha o que temer
Pois não precisava ter opinião"

"Da Janela" é uma história dentro de várias histórias que todas vivemos todos os dias, que perpetua medo, insegurança e silêncio.

"Até mesmo a sua mãe
E todas as outras suas mães
Que só queriam o seu bem
Diziam aquilo também
Ela não tinha o que fazer
Pois precisava de permissão
Para dizer sim ou não
Daqui até morrer"

Mas "Da Janela" também não deixa de ser uma bela homenagem àquelas mulheres que conseguem se desvencilhar do incômodo obscurantismo de não ter opinião. Mas, para tanto, é preciso abrir as janelas para iluminar o caminho do questionamento desconfortável. Quem acha que somos livres, é porque nunca abriu a janela o suficiente para se chocar contra as grades.

"Mas ela era má e não queria aprender
Aquilo que determinaram ser o certo a se fazer
Abriu sua janela sem saber o andar
E decidiu que a partir dali aprenderia a andar"


“Da Janela” é a segunda música de um projeto brasileiro novíssimo chamado IFall. Totalmente escrito, executado e produzido por Caio Duarte.
Página do Facebook: https://m.facebook.com/ifallart


Gostou do nosso blog? 
Então fique por dentro das nossas atualizações!
Na barra lateral direita, tem a opção 'Seguidores', sinta-se muito convidado para nos seguir! É rapidinho e fácil. :)
Também estamos no Instagram: @blogagridossie
Lembrando, envie sua foto para a “Cabelo bom é o meu!” no email: agridossie@gmail.com
Comentem, compartilhem e acompanhem nossas postagens!!
Beijos!

Por Hellen Cristine/Agridossiê

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Música e Censura na Ditadura Militar Brasileira

Em 1964, a política brasileira sofreu um golpe de estado. O regime militar foi marcado por atos institucionais, perseguição, censura, a total falta de democracia e repressão àqueles que ousavam a ser contrários ao regime. As consequências dos 21 anos de chumbo foram as mais negativas possíveis. Corrupção, desigualdade, arrocho salarial, violação dos direitos humanos, tortura, assassinatos e desaparecimentos de milhares de pessoas. Até hoje, muitos não foram encontrados.

Mas vamos ao ponto da nossa prosa de hoje: a censura da arte. Melhor, da música. No final dos anos 60, a música popular brasileira tornou-se a voz do povo. Era um dos artifícios para os músicos e, consequentemente, do povo se expressarem.  As letras questionavam a situação pela qual o país estava passando e mostravam o que o governo estava fazendo. Isso incomodou e muito os militares.

Em 13 de dezembro de 1968, foi promulgado o AI-5, a fase mais sombria do regime no país, que censurou qualquer manifestação sobre assunto de natureza política. A MPB sofreu várias amputações em suas letras, quando não eram totalmente vetadas.
Afasta de mim esse cálice
A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) foi criada para garantir a censura da arte. Nessa censura prévia, podiam vetar por questões políticas, para "proteger" a integridade da moral e bons costumes, ou simplesmente porque não entendiam o que o autor da música quis dizer em sua letra. Simples assim. (Imaginem se eles ouvissem as letras das músicas de hoje, hein?!). Vários cantores eram vistos como inimigos da ditadura militar. Sofreram perseguição política e foram exilados.

Os perseguidos
Geraldo Vandré era um cantor e autor de grandes sucessos naquela época. A canção "Para não dizer que não falei das flores" tornou-se um hino contra o regime opressor.

Por conta da censura implantada pelo AI-5, Geraldo foi obrigado a exilar-se. Fugiu para o Chile. Logo em seguida foi para Alemanha e França. Em 1973, retornou ao Brasil, sendo severamente vigiado pelos militares, e se afastou da vida artística.  

Com Geraldo Vandré totalmente silenciado pelos militares, o inimigo da vez era Chico Buarque de Hollanda. Durante o período da censura no regime militar, Chico foi o compositor e cantor mais censurado, tanto nas canções de protesto, quanto nas que feriam os costumes morais da época. Ficou exilado na Itália por 4 anos. Depois do seu retorno ao Brasil, continuou sendo perseguido pela censura do regime militar.

Em 1970, ele escreveu a canção "Apesar de você" (que letra sensacional!) e a enviou para aprovação da censura, na certeza que seria vetada. Mas, para a surpresa geral, a música foi aprovada e virou um sucesso instantâneo. Já havia vendido mais de 100 mil cópias, quando um jornal noticiou que a letra era um protesto gritante contra o Presidente Médici. O exército, então, invadiu a fábrica da Philips, destruindo todos os discos. Só esqueceram-se de um detalhe: destruir a matriz. Gênios! (Graças ao ser supremo! Porque repito, é uma das letras mais incríveis que já vi.) 


Tropicália
O Tropicalismo foi um movimento cultural de grande importância, principalmente dentro da música. Seu fim foi marcado pelo episódio da bandeira nacional durante o último show dos Mutantes. Segundo os militares, a bandeira foi gravemente desrespeitada por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ainda alegaram que Caetano teria ofendido as Forças Armadas ao cantar o Hino Nacional. Isso foi mais que o suficiente para o regime militar suspender a apresentação e prender os dois cantores.
Moro num país tropical...
Caetano e Gil foram presos e exilados em Londres de 1969 até 1972, quando retornaram ao Brasil, e claro, foram perseguidos pela censura e o regime opressor. 
     
1973.  Manifestações estudantis cada vez mais violentas, devido aos desaparecimentos políticos, e a censura na música se tornava mais severa. Milton Nascimento teve seu disco "Milagre de Peixes" mutilado pela censura. Nesse mesmo ano a banda Secos & Molhados estourou nas paradas de sucesso. Ney Matogrosso, um dos componentes do grupo, foi duramente criticado por conta das suas roupas, seu timbre de voz diferente e seu rebolado. A censura alegou que seu estilo ia contra a moral e os bons costumes e proibiu que as câmeras da televisão focassem o cantor de perto (só eu vi um preconceito ai?).
Meu sangue latiiii-nooo
Gal Costa teve a capa do seu disco "Índia" censurada por ter um close frontal da cantora vestida com uma tanga minúscula, e na contracapa fotografias da mesma mostrando os seios. Raul Seixas teve 18 músicas vetadas pela censura.
Índia, a sua imagem sempre comigo vai.
Adoniran Barbosa lançou um álbum em 1973 com canções gravadas na década de 50. Teve 5 canções vetadas. Uma delas, "Tiro ao álvaro" , foi vetada porque a “falta de bom gosto” impedia a liberação da letra. Teria que virar "Tiro ao alvo". A ignorância e a falta de preparo e sensibilidade de entender um trocadilho em uma música reinavam na época.
Documento da época
Grandes nomes da MPB tiveram suas obras vetadas pelos censores. Toquinho, Tom Zé, Os Mutantes, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Paulinho da Viola, Belchior e outros tantos, sofreram com um regime autoritário, repressivo e sim, preconceituoso. A censura passou a ser de uma total incoerência, uma perseguição doentia, sem razão e ideologia.

No último governo militar (João Figueiredo), a censura foi mais branda e menos exigente, sendo assim, as obras já eram liberadas com maior facilidade. O Brasil só se viu livre da ditadura militar em 1985. Em 1988 a Constituição Federal, votada pela a Assembleia Constituinte, extinguiu o regime militar no Brasil, aprovando a liberdade intelectual e de expressão.

O regime militar foi um período obscuro, de um passado recente e com uma história que precisa ser passada a limpo, para que nunca mais vivamos esse terror novamente. 
Viva! Viva!

Já se inscreveu na Promoção "O Hobbit" do Agridossiê? Não?! O.O
Leia aqui como você pode ganhar um kit de presentes preciosossss! o/

Lembrando: na barra lateral direita, tem a opção 'Seguidores', se gosta do nosso blog, sinta-se muito convidado para nos seguir! É rapidinho e fácil. :)

Também estamos no Instagram: @blogagridossie

Comentem, compartilhem e acompanhem nossas postagens!!
Beijos!

Por Rose Monteiro/Agridossiê